Archive for the ‘educação’ Category

Ora, ora, ora!!! Estava aqui eu tão sossegado a pensar na didáctica da música, e tinham de me desassossegar. E logo as “autoridades”!

Lembro-me , há muitos anos, numa altura em que dois crápulas levavam o destino do país (o Silva das Vacas como Primeiro e o seu leal parceiro no crime, o implacável Dias Loureiro, como Ministro da Administração Interna), que a polícia descarregou fortemente sobre estudantes universitários que protestavam pacificamente contra o aumento das propinas.

Ora hoje, debaixo da tutela do mesmo Silva das Vacas, novas imagens nos chegam, desta vez com ênfase na agressão a jornalistas, armados apenas com a força do alcance das suas palavras e imagens.

Não é novo. Já o vi nos anos 90. E os meus pais antes disso. Mas são precisamente essas semelhanças que levantam suspeitas e emprestam credibilidade ao argumento de que Portugal não é, hoje em dia, um país democrático, estando antes debaixo de uma ditadura que revela muitas das suas suas horríveis facetas ao virar de cada esquina, literalmente.

Da agressão a jornalistas que querem contar o que alguns não querem que se ouça, à morte desamparada de idosos com a ajuda da mão ensanguentada do estado, passando pela redução de salários e pela deliberada asfixia cultural, assistimos diariamente à violentação permanente de um povo demasiado pacato para merecer tais abusos ou para os resolver com mão de ferro.

Sabemos até que aqui, como em Espanha e noutros sítios, é polícia à paesana que provoca os incidentes cujas responsabilidades são depois atribuídas à população. Na minha terra, gente de escrita e fala escorreitas classificaria tais actos como uma filha-da-putice sem nome, isto para usar terminologia técnica rigorosa.

O nosso sistema límbico, estrutura a respeitar uma vez que garante muito da nossa sobrevivência, sugeriria certamente a execução sumária de duas mãos cheias de proxenetas da nação e do mundo, regada com outras tantas de cocktails molotof em locais relevantes frequentados por essa corja de criminosos. Todos, ou quase, o sentimos nas tripas como uma solução exemplar para o problema. Infelizmente por um lado, e felizmente por outro, não somos como outros povos e por isso não fazemos uso dessas tácticas. Isso obriga-nos a viver no meio da merda ou a elevar o nível para a afogar de vez. Proponho a segunda via, até porque não sou adepto de soluções violentas. Mas como?

Portugal, como o resto do mundo, está na mão de assassinos sanguinários vestidos de Armani e Prada (excepção feita ao pessoal do Vaticano que, sendo insuperáveis assassinos sanguinários, não têm um gosto tão refinado em questões de moda, até por razões protocolares). O poder a que todos eles estão agarrados está assente numa mistura explosiva de duas coisas:

  1. A venda de um sonho, um ideal, algo que todos reconheçam como A Salvação, venha ela na forma de Deus ou de um Ferrari F40,
  2. Num esquema de escravatura emocional (e não só) que por um lado impeça a concretização do sonho e por outro o re-alimente, tornando-o mais intenso e merecedor de esforços ainda mais brutais para que possa ser alcançado. Assim, tudo pode ser visto como um esforço que “vale a pena” (curioso, o significado literal desta expressão).

Este é o paradigma em que vivemos, e não será de um dia para o outro que o vamos mudar. Digo-o porque os poderes a derrotar não são coisa miúda. A solução passará seguramente por um acordar de consciências que esse mesmo poder inebria com ignorância, medo, castração de liberdades e uma instrução escolar que nos vende a ideia de que a Sociedade precisa de ser como é (verdade que só se aplica aos que dela abusam e tiram partido ilegítimo).

Num artigo de leitura obrigatória (em inglês) e que talvez um dia eu acabe a traduzir, Marco Torres, um perito em Saúde Pública e Ciência Ambiental, advoga que nas escolas (organizações geridas pela mesma corja de bandidos que nos tem como reféns do feitiço descrito acima) “as crianças são psicologicamente condicionadas para falhar e perder a esperança. Medo de falhar leva à inacção e ao desespero. É um ciclo vicioso. Quando as crianças não têm esperança, têm medo de falhar. Se têm medo de falhar nunca actuarão. Depois, pegam nesta fórmula e aplicam-na em todas as instâncias das suas vidas.”

Mmmm….. Estará aqui a resposta para os tais brandos costumes nacionais? A mítica falta de acção do Zé Povinho?

Aqui em Inglaterra, os problemas são semelhantes, embora com diferentes especificidades. Mas a solução que encontrei assenta em desligar os meus filhos do sistema, à boa maneira do Matrix, e procurar incutir-lhes ideais diferentes. Não foi um acto de heroísmo, apenas de bom senso. Antes de nós outros houve que o fizeram e nos inspiraram a dar o salto, em relação ao qual estamos cada vez mais felizes. Depois de nós, oxalá mais apareçam, mantendo as tendências de crescimento que se têm verificado no homeschooling.

Talvez, ao atingir-se uma certa massa crítica de almas livres e independentes, o actual sistema acabe por ruir pelas bases, por não ter mais escravos emocionais (e da finança) a alimentar as sanguessugas que se agarram às veias do poder. Nesse dia, admitindo que ainda restará planeta, violências como as que assistimos hoje (e ontem e amanhã) não acontecerão, porque uma Humanidade livre de espírito não temerá a liberdade de expressão, nem a diferença de opinião, nem a realização pessoal, nem a partilha de riquezas e recursos. Até lá, seguimos em frente, em busca do salto civilizacional de que tanto precisamos. Experimentem começá-lo em casa. Os filhos dos vossos filhos hão-de agradecer-vos.

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O(s) sistema(s) que nos rodeiam são-nos impingidos de tal maneira que em pouco tempo, normalmente ao fim de poucos anos de escolaridade e convivio familiar, a nossa inteira existência parece carecer de autorização e escrutínio de terceiros. Ou porque nos dizem que sim, ou porque se desenvolvem mecanismos legais desenhados para que não possamos escapar a tais rigores e intromissões.

Seria, julgo eu, expectável que qualquer ser nascido neste mundo tivesse o direito de nele viver anonima e livremente. Afinal, como qualquer pinguim da Antártida, somos filhos desta Terra, e nela estamos a título temporário, com usufruto dos seus recursos a título de empréstimo. Porquê tanta supervisão em torno de cada indivíduo?

Estou convencido que a esmagadora maioria dos mortais respeitaria princípios equitativos de vida em literal e absoluto anonimato sem grandes problemas, desde que providos da devida educação, claro está. E infelizmente, nesta premissa está, quanto a mim, o problema.

Numa boa parte do mundo desenvolvido criaram-se esquemas socio-económicos que destituem os pais do seu direito, consagrado no parágrafo 3 do artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de escolher o género de educação a dar aos seus filhos, direito que, na escolha de muitos, honraria, além do mais, milhões de anos de evolução genética (através da educação provida pelos progenitores).

Para a maior parte dos pais a opção é única, pela via da escolarização de massas, necessariamente por terceiros, desconhecidos e, frequentemente, desmotivados e inaptos professores. Nessas desconhecidas e, muitas vezes, desconhecedoras mãos são colocados os sonhos de crianças e o dever de as educar. E basta ver o estado do ensino em Portugal e no Reino Unido, e a qualidade de vida e sensação de realização pessoal dos adultos deste mundo para percebermos que essa solução está longe de ser a melhor.

Dizem os pedagogos e psicólogos que as crianças aprendem melhor com aqueles de quem gostam, concretamente os progenitores. Por isso, deixem o cardeal em paz que o que ele diz faz muito sentido, antropológica, social e academicamente falando, respeitado, claro está, o direito de qualquer progenitor (das mães também) de perseguirem uma carreira profissional em vez de as palavras deste clérigo. Não há neste argumento, e julgo que na intenção do cardeal também não, um pressuposto sexista.

Numa breve tangente ao principal objectivo deste artigo, devo dizer, no que toca à polémica levantada em torno das declarações de Manuel Monteiro de Castro, que as liberdades recentemente conquistadas pelas mulheres (e ainda bem que o foram) embaciam a visão no que toca a principios fundamentais de vida animal, realmente os que mais influenciam o nosso desenvolvimento enquanto espécie e individuos, segundo os quais a mãe da cria (da galinha, do porco, do leão e do homem) tem um papel fundamental no seu desenvolvimento. E aqui, realço, mãe e pai não são iguais. São diferentes. Nenhum é mais do que o outro. São diferentes. Desempenham funções educativas diferentes, e a da mãe é particularmente importante!

Dizia eu que a necessidade de trabalho por conta de outrém, tipicamente remunerado muito abaixo da riqueza produzida por cada trabalhador, se torna em estilo de vida obrigatório para ambos os progenitores (na generalidade das famílias, como é evidente).Como se tal não chegasse, a propaganda da escolaridade mínima (educação e escolarização são coisas diferentes, e não necessariamente compatíveis) pressupõe a obrigatoriedade (que nem o é) de mandar os putos para a escola, tornando aquilo que é, de facto, uma escolha consagrada na lei, numa escolha única e sem alternativa, na mente da maior parte das pessoas. Vai daí, as crianças acabam nas escolas que o aparelho de estado controla.

Nas instituições de educação massiva e não personalizada, as individualidades das crianças são suprimidas (a começar no conceito de uniforme escolar, e a acabar no desrespeito pelas suas preferências no que toca a estilos de aprendizagem), as suas competências restringidas a um limitado currículo académico (como se no mundo só houvesse as 2 línguas ensinadas na escola, ou o valor de um indivíduo dependesse da sua capacidade de calcular o seno de um ângulo aos 14 anos), e o seu valor intelectual medido de acordo com um critério quasi-estatístico de conformância com uma escala arbitrária ditada por um governo.

O génio de cada um, presente em TODOS os indivíduos cerebralmente sãos, é, por instrumentação política, deliberadamente ignorado e trocado pela mediania, literalmente. Com excelente matéria prima, fazem-se salsichas assim-assim, como sugerem,e bem, os Pink Floyd.

A dita escala de avaliação, por seu turno, serve também como um instrumento castrador e asfixiante; A avaliação escolar é, nos dias de hoje e há pelo menos 40 anos, baseada nos resultados obtidos em testes ou exames. Nestes, raramente o 100% é atingido, o que transmite invariavelmente duas coisas possíveis ao aluno (ou ambas):

  1. Eu não suficientemente bom nesta matéria porque não tirei os 100% representativos de total satisfação dos critérios do professor (talvez até porque não gosto disto nem lhe vejo utilidade),
  2. Desde que eu vá passando nos exames vou satisfazendo os requisitos deste sistema e passo a ser um sucesso!

Ou seja, não só há uma gradual erosão da auto-estima de cada um, como há um acerto de prioridades no qual o importante não é saber mas sim ter mais do que X valores num exame cujo grau de dificuldade é tipicamente ajustado pelas escolas/professores para satisfazer quotas de aprovação. Ou seja, na avaliação de um mesmo professor em dois anos civis diferentes, o 14 de um aluno não equivale ao 14 de outro!

Como se tal não bastasse, num grupo artificialmente criado de 30 crianças da mesma idade (qual de vós tem um círculo social com quem convive 8 horas por dia em que toda a gente tem a mesma idade?!) desenvolve-se, através das notas e dos méritos, dos castigos e dos grupos de habilidade, um ambiente de competição pouco saudável, em que o sucesso individual, e não o de grupo, é encorajado e premiado, em que uns são mais “espertos” do que outros, sem que se explique às crianças que tais rankings (errados na sua génese) espelham apenas um critério muito, muito, muito estreito das suas competências conforme avaliadas num determinado dia, que falha também por não tomar em conta questões fundamentais de desenvolvimento fisico-neurológico ditado pelo bio-ritmo de cada uma das pequenas pessoas.

Com tudo isto, não admira que das “melhores” escolas saiam as grandes cabeças da Goldman Sachs e da Monsanto.

Consequentemente e em resumo, acredito piamente que a escola desenvolve mentalidades individualísticas, impede a maior parte das pessoas de atingirem o seu potencial, destrói a sua auto-estima e orienta o sucesso escolar para a passagem em exames e não para a aprendizagem. Digo-o com consciência e do alto do meu “sucesso” escolar, onde passei 18 anos da minha vida (com canudo e tudo) e que, por isso, conheço por dentro e por fora.

Por estas razões, e em grande parte a pedido deles, tirámos há um par de meses os nossos 3 filhos (6,8,12 anos) da escola para lhes oferecermos uma educação não escolarizada, assente nos seus interesses, idiosincrasias e valores, debaixo da nossa orientação e proveniente de experiências enriquecedoras (muita brincadeira, muita interacção com famílias semelhantes, muita arte, currículo tão variado quanto queiram, e ao rítmo a que pretendam seguir). Para trás ficam as rotinas rigorosas ditadas por outros, horas a fio a fazer fichas de trabalho, palestras infinitas, trabalhos de casa capazes de eliminar o equilibrio de vida de um miúdo de 6 anos, grupos de habilidade, em resumo, a escravatura escolar como preparação para a escravatura profissional.

Foi, quanto a mim, a melhor decisão que podiamos ter tomado. Em semanas, as suas verdadeiras personalidades (as tais que a escola esmagava) vieram à superfície; São mais felizes, calmos e confiantes, interagem com qualquer indivíduo de igual para igual, com respeito, assertividade e consideração, independentemente de se tratar de uma criança de 7 anos ou de um jovem de 70. São pro-activos na sua aprendizagem, investigam naturalmente, acreditam nas suas capacidades, e atiram-se de cabeça para os assuntos que, por qualquer razão, eram absolutas dores de cabeça nos seus tempos escolares.

E o mais importante é isto: A estes 3 jovens, a máquina de propaganda que ensina a população que a sociedade actual é a ideal, não lhes irá tocar mais.

É esta, do nosso ponto de vista, a nossa mais importante função, a de maior impacto no mundo, para construirmos um melhor amanhã. Estamos a desligar os nossos filhos da matriz que controla o mundo, e com isso há-de vir a liberdade deles e, quem sabe, a de outros.

Visitem o Trepar Ao Céu para acompanharem o que vamos fazendo. Entrementes, deixo-vos com algumas citações interessantes, de gente importante no domínio da pedagogia e política social.

“My education was interrupted only by my schooling” – Winston Churchill

“School is the advertising agency which makes you believe that you need the society as it is.” ~ Ivan Illich

‎’Education…now seems to me perhaps the most authoritarian and dangerous of all the social inventions of mankind. It is the deepest foundation of the modern slave state, in which most people feel themselves to be nothing but producers, consumers, spectators, and fans, driven more and more, in all parts of their lives, by greed, envy, and fear. My concern is not to improve ‘education’ but to do away with it, to end the ugly and antihuman business of people-shaping and to allow and help people to shape themselves.’ ~ John Holt

Há tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo na minha vida que tem havido pouco tempo para merditar. E não é que não falte assunto no mundo para o fazer, como por exemplo o vazio que se vê em Portugal.

Há dias, uns tipos bem formados e divertidos de Lisboa convenceram o Zé Povinho, e ainda bem, a ter uma opinião diferente de toda uma corja de maestros, doutores e engenheiros que constituíam o júri do festival da canção (e notem que fizeram questão de apresentar todos os títulos e certidões para emprestar, à boa moda nacional, um pouco credibilidade ao evento). Serviu a música uma das suas principais funções, a da crítica e contestação social, para bem da nação. Ficou a Silvia Alberto com um sorriso amarelo a apressar o fim do programa e imagino que a troupe do Zé do Ballet, que oleou tantas ondas hertzianas em Portugal, ficou com o Échappé a meio pau em surpresa.

Dias depois, 300 mil marmelos vieram para a rua lembrar que muita coisa (tudo?) vai mal. E ainda bem que o fizeram. Mas, e as reacções? Onde estão? Porquê o vazio subsequente?

Manifestação Geração à Rasca no Porto - Foto do jornal espanhol El Pais

A mim parece-me que quando uma cidade com 200.000 habitantes consegue uma manifestação com 80.000 pessoas (40% de adesão) alguém tem de tomar nota e investigar com profundidade.

Se quisermos pensar em termos do Grande Porto, o maior aglomerado urbano do noroeste peninsular, estaremos a falar de 6% de adesão, o que em si mesmo é excelente, em especial se considerarmos que nesse caso poderão ter havido deslocações de 40 Kilómetros para participar, para o que é precisa muita motivação – sinal de que a causa é premente.

A real adesão deverá andar entre um número e outro. Admitamos que são 10%. Seria o equivalente a uma manifestação em Londres com uma mobilização de cerca 1 milhão de pessoas! É gente pra caraças e seguramente daria para muitas páginas de jornal.

Então e onde estão as reacções da nossa classe política, alvo da manifestação? Bom já sabemos que o Golfe  vai passar a ter IVA de 6%, o que seguramente ajudará toda a gente, desde os desempregados de longa duração às vítimas de radioactividade no Japão. Mas ninguém pede explicações aos atrasados mentais que levam os destinos do país?

Que é feito dos jornalistas? Que função, para além da propaganda do aparelho governativo, desempenham os media? Uma pesquisa no Público online nas secções de Sociedade e Política, mostra zero noticias pós-evento que reflictam a opinião de Políticos de relevo (Socrates e Cavaco). E mostra ZERO de indignação com esse vazio. No Facebook, vi artigos em jornais estrangeiros mas poucos ou nenhuns dos media nacionais, e ZERO com reacções das personalidades políticas mais relevantes.

E quando a RTP tem de noticiar a descida do IVA do Golfe, usam imagens da Volkswagen!!! Mas que jornalismo é este? Quem revê o que se emite? Será que a falta de zelo em Portugal é tal que nem o público do canal público português merece respeito por parte dos profissionais cujos salários são pagos por esse mesmo público?

Este vazio demonstra que os media, concentrados na capital do lobby, tocam a música do maestro e não a que o público precisa de ouvir. E fazem-no sem sequer pensar. Como o fazem os governantes que caem no ridículo máximo ao anunciar políticas vazias de conteúdo e impacto dias depois de uma manifestação com a dimensão que se viu.

Fica também a sensação de que, esvaziada a bexiga, os manifestantes recarregaram as pilhas para mais uns anos de travessia do deserto, e que por isso não forçam os media a pedir comentários à classe política e, em caso de pouco sucesso nessa intenção, os fazem escrever sobre o escândalo político subjacente a esse insucesso. Os nossos bons costumes já não o são – são derrotismo. É a vida. É o fado.

Fico assim com a ideia de que Portugal está mergulhado num vazio máximo de visão, política, media e valores. Está nas mãos de um grupo de gente ignorante por um lado, espertinha por outro, com uma ambição de poder ilimitada a que se contrapõe uma total incapacidade de inspirar uma nação a ser melhor.

E a vocês que estão mais perto, que vos parece?

O meu curso era foda!

Posted: Fevereiro 11, 2011 in cultura, educação, vida

Um estudo levado a cabo em Inglaterra, e publicado pelo famoso Sun, revela que os homens e mulheres amantes de tecnologia são os melhores amantes.

Eu não sei de onde saem estes artigos, mas sendo eu um informático, tinha de o resumir a isto:

while(!woman.aroused) {
    nipples.caress();
    snog++;
}

If (self.age > 50 && !self.aroused) {
    self.takePill(blue);
    wait(20);
} 

try {
    woman.penetrate();
    while(!woman.orgasm || !self.orgasm) {
            // selfish bastard in logic operator above
            self.utils.use(imagination);
   } catch (UnsuccessfulSexException) {
          System.out.println("This is the first time it has ever happened to me");
          self.embarrass();
          newspaper.sun.article.rewriteFacts();
   }

Clica na imagem para ler o estudo:

Eu e a Fenther, Episode I

Posted: Janeiro 24, 2011 in cultura, educação, vida

19h 40m. Para trás e para baixo afastavam-se as luzes da cidade que me viu crescer. À frente aproximava-se a cidade que provavelmente me verá envelhecer e à custa de cujo frio espero que se atrase esse processo, qual robalo num frigorífico.

Entre uma e outra, em Vigo, pareciam ainda sentir-se os cheiros do Cozido Galego que agraciou um dos recentes dias de gravação dos Trabalhadores do Comércio e, não fosse tal uma impossibilidade física, era capaz de jurar que dali me chegavam alguns dos sons que lá registámos. Tratava-se, evidentemente, de um fenómeno psico-acústico fácil de explicar se aceitarmos que o que está num disco é um espelho do que está nas cabeças de quem o grava.

Enquanto o tempo parecia não passar para que pudesse reencontrar-me com a minha família, aquele momento a bordo do Airbus A320 da TAP pareceu-me o ideal para efectuar balanços e rever planos, e melhor ainda para escrever um primeiro artigo para a Fenther, com o orgulho que me merecem a iniciativa e amizade do Vítor Pinto e da Ana Gabriela Sousa; É que fazer um site de importância crescente no panorama cultural português, independente e movido por um genuíno interesse pela cultura nas suas várias formas de expressão é, não só uma forma de serviço público mas um exemplo de que a tomada de acção é que provoca resultados, sendo por isso mesmo inspirador em todos os sentidos.

Está aqui o primeiro, com orgulho e vontade de repetir: Do negócio da cultura para a cultura do negócio.

Um amigo meu, proeminente escritor sobre música, em tempos (talvez até presentemente) director de programas de uma rádio regional , homem na casa dos 40 anos,  é um dos muitos indignados com o tratamento que revistas como a Blitz ofereceram a efemérides como os 50 anos da edição do primeiro disco do Rock Português, ou a recente homenagem da Sociedade Portuguesa de Autores a 50 nomes do rock português, em cuja lista tenho a honra de ter sido incluído pelo meu trabalho com os Trabalhadores do Comércio.

Tendo manifestado o seu espanto online em vários sites, ficou ainda mais perplexo com a defesa generalizada que foi prestada à Blitz. Conhecendo o meu relacionamento com a crítica, pediu-me uma opinião, que aqui deixo transcrita. Agradeço também a vossa opinião.

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Caro X, Escrevo-te à medida que estruturo o meu pensamento para te dar uma resposta. Estou interessado em saber o que pensas dela. (perdoa-me as falhas ortográficas – uma luta dos tempos de primária válida ainda hoje, a que não ajuda a ausência de um corrector ortográfico português neste computador inglês. A rebeldia contra o novo acordo ortográfico, essa sim, é intencional e continurá até à minha morte!)

Eu tive o meu choque anafilático com o jornalismo musical português aquando do lançamento do Iblussom, a que não é alheio ser o primeiro disco meu no qual tenho uma influência consciente e determinada (na opinião de alguns, determinante) no processo de composição, arranjo e produção.

Talvez por isso, levei a peito muitas das opiniões proferidas, as boas e as más, e sobre isso tive oportunidade de falar contigo e de inclusivamente gastar horas minhas a dispensar tintal digital no blog dos Trabalhadores e em outros meios. Uma espécie de exorcismo pessoal útil mas de pouca ou nenhuma relevância de massas.

A distância do tempo cria um afastamento emocional que me permite agora analisar as coisas em termos talvez um pouco mais isentos, embora a essência das minhas opiniões não tenha mudado e seja, indiscutivelmente, influenciada pela minha posição de “alvo da crítica” (sem sentido pejorativo).

Antes de mais convém perceber que Portugal é um país culturalmente pobre. Muito mais pobre nesse domínio do que no financeiro, tecnológico ou industrial. Isso é consequência de não serem ensinados nas escolas portuguesas conceitos fundamentais de estética, de expressão cultural e intelectual, da importância das artes na sociologia dos países, (em sentido inverso) dos contextos sociais e económicos que suportam essas formas de expressão, etc.

A minha filha de 11 anos, por exemplo, tem andado a estudar música e arte gráfica dos anos 60, 70 e 80. Quem eram os Beatles, o Andy Warhol, o Roy Lichtenstein e o Freddy Mercury? Qual o significado do seu output no tempo em que ocorreu? Porque durará o seu output até aos dias de hoje? Qual a realidade económico social daquele tempo e de que maneira influenciou estes artistas? Que técnicas usavam e a que “escola” pertenciam? Fá-lo integradamente nas disciplinas de Humanidades, Inglês, Educação Visual e Música! E já agora, no grupo coral a que pertence, canta Lennon, Guns and Roses, Journey, Stones e Crowded House para audiências escolares que variam entre dezenas e um par de milhar de pessoas. Isto dá-lhes referências e sentido estético próprio e integrado! Faz isto numa escola pública que me custa ZERO por mês.

O povo português não tem, no sentido lato, nem este desenvolvimento nem referências que permitam ao comum dos mortais apreciar criticamente uma forma de arte. Quando assim é, procuram-se essas referências junto de outrém – os amigos e os “opinion makers” passam a ser fundamentais por serem, de facto, a base da sua opinião acerca do seu consumo artístico pessoal.

No caso da música, o Blitz tornou-se a principal fonte de critica especializada, especialmente depois da morte do Se7e, do Musicalíssimo e da Música&Som (e possivelmente de outros anteriores tão ou mais relevantes, mas que desconheço por serem anteriores a 72).

Desgastar fontes de referência como o Blitz equivale a retirar o tapete intelectual e emocional de cada leitor dessa revista no que respeita ao seu consumo artístico pessoal. Isso acaba por ser uma forma de ataque pessoal impossível de suportar e que merece a mais acérrima das defesas! “Não digam mal do jornal X porque ele determina em grande medida quem EU sou” (opinião inconsciente, o que a torna ainda mais forte e dogmática!).

Curiosamente, muitos críticos sofrem eles próprios destes males, procurando referências noutros sítios, concretamente nas revistas ditas “cool” vindas dos EUA e do Reino Unido. Com isso descontextualizam  a produção artística versada e amplificam a grandeza de um artista Inglês ou Americano num contexto social onde outros (nacionais) merecem muito mais destaque!

A falta de preparação cultural e a dependência dos próprios críticos (de alguns pelo menos) nos seus pares internacionais tornam-nos incapazes de perceber o produto artístico português sobre o qual lhes pedem análise ocasional. Porquê? Porque eles próprios não têm essas referências – daí que não se importem com os 50 anos da música portuguesa, com o Arte&Oficio ou com o Pop 5. E estes não fazem parte das suas referências porque não são ensinados nas nossas escolas.

Os putos de onze anos em Portugal deviam aprender nas suas disciplinas de musica, história, e português acerca do Zeca, do Ary, dos A&O, Pentágono, GNR, Sérgio Godinho, etc e dos contextos economico sociais em que apareceram! O sistema de educação não está para isso e assim se perdem as referências que depois se procuram “lá fora”.

Trazendo esta análise para o meu caso pessoal: Os Trabalhadores do Comércio estão inseridos na 3a região mais pobre da Europa, no país mais centralista da Europa, sofrendo na pele (quer a título pessoal quer no seu círculo social) os dramas dessa realidade. O nosso próximo disco é quase exclusivamente sobre estas coisas, não por estratégia comercial, mas por genuína e mais do que compreensível expressão artística.

Achas que os críticos que sobre ele vão escrever vão perceber estas questões ou procurar enteirar-se delas? A simples questão do sotaque à Porto não é vista como uma forma de afirmação cultural mas sim como “uma parolice fora de moda”! Salvo raras excepções, não estou à espera de nenhuma forma de crítica contextualizada e estou preparado para mais um assalto da crítica “cool” e “moderna” àquele que é na minha opinião o nosso melhor disco, talvez por não soar suficientemente a “Tricky” ou a “Radiohead” ou a “U2” ou a “Lady Gaga”. A ver vamos.

Portanto, estou a tentar viver com este tipo de crítica e “opinion makers”, pensando sempre que nos custa uma existência de mais concertos e maior sucesso financeiro o que, curiosamente nos empurra para um estilo cada vez mais genuinamente independente. Talvez assim estes pseudo-indies acabem também a gostar de nós e de outros como nós (a título póstumo, depois de morrermos de fome?) 😉

Quanto aos seus defensores, precisam dessa crítica para terem pensamento e, com isso, existirem (segundo Descartes). Não leves a mal – sorri antes por teres pensamento próprio, referências e base cultural invejáveis em Portugal. E continua a escrever sobre estes tópicos porque Portugal agradece.

Um abraço

João

——

E vocês, que têm a dizer de tudo isto?

Hoje, enquanto eu discutia o sexo dos anjos com uma equipa de doutorados de Cambridge numa aquecida sala da City of London, um debate bem mais quente acontecia no meio do frio da cidade. Em causa estava, aparentemente, o triplicar das propinas das Universidades. Na realidade, o que estava em causa era mais um exemplo da prepotência e da falta de seriedade política, o agravamento (desejável para quem está no poleiro) da sociedade de classes com fossos cada vez mais acentuados entre cada um dos seus estratos, o abuso de poder, a hipocrisia.

É o argumento de que as proprinas precisam de subir como consequência da crise enquanto se perdoam 4.5 mil milhões de libras de impostos à Vodafone. É o aumento das propinas debaixo do argumento da crise enquanto o próprio ministro das finanças tira partido de uma insuficiência legal (seguramente planeada) para fugir a uma conta de impostos que ascende a milhões de libras e pedir aos tesos que apertem o cinto, concretamente à custa da sua educação.

É a imposição de uma dívida não solicitada aos jovens que, assim, começam as suas vidas algemados pela banca, via Estado (o mesmo estado que subsidia a irresponsabilidade da banca gananciosa que criou esta mesma crise!!!).

E é fazer tudo isto depois de ter formado governo depois da promessa de que reduziria (em vez de triplicar) estas mesmas propinas, como foi o caso dos Liberais Democratas.

É a cara de pau de dizer ao eleitorado: “nós prometemos o que vocês quiserem para ganhar o vosso voto, para depois vos fodermos na posição que mais prazer e conveniência nos trouxer.”

E, acima de tudo, é fazê-lo a uma geração que se guia por valores diferentes: mais informada, mais social, mais preocupada com a sua realidade e com o futuro do planeta e, consequentemente, mais descrente na classe política que actualmente protege os interesses de muito poucos à custa do sacrifício de imensos muitos.

Quando a violência das classes políticas, aqui resumida a este episódio mas realmente abrangendo todos os domínios da vida pública – da finança à sustentabilidade do planeta, da pseudo-liberdade de imprensa (wikileaks, anybody?) à corrupção, chega a estes extremos porque razão deverão as massas oprimidas retribuir pacificamente?

Em Inglaterra, o pessoal não deixa a coisa em banho maria. Trá-la a ponto de ebulição assim que sentem a água a aquecer, e assim deve ser – cada um à sua maneira. Deixo aqui o meu cumprimento sentido a quem se afirma contra aquilo com o qual discorda.

Porque não atacar servidores de empresas que protegem o terrorismo de estado? Porque não partir vidros nas sedes de partidos políticos e, se possivel, também a cara a alguns dos seus representantes?

E quanto ao argumento “politicamente correcto” de que os protestos se fazem com cravos e ramos de alfazema,os demagogos utilizam esse argumento como forma de ganharem credibilidade através da descredibilização dos protestantes. Quem está na mó de baixo, não tem mais alternativas: é que a do voto agora já vem tarde e, acima de tudo, aparenta ter sido um fiasco da última vez que foi experimentado (há 3 ou 4 meses atrás)!!!!!

A revolução é precisa e não se faz só com uma mão. E em Portugal, quando começará?