O Dr. Rui Rio não é fascista, é só um grunho delinquente e inseguro

Posted: Abril 19, 2012 in Liberdade de Expressão, politica, Porto, Sonhos

Hoje sinto que tenho que escrever. E no entanto, o peso do que quero dizer é tão grande que estou há uns bons 10 minutos a olhar para um ecrã vazio, sem ter conseguido escrever uma única palavra que seja (até agora).

Este bloqueio deve-se à irritação natural que resulta de ver gente violentada pelos organismos que a deviam proteger, a que acresce o fervilhar do sangue decorrente de, desta feita, se tratar da “minha gente”.

Hoje, Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, ordenou o despejo da Escola da Fontinha, edifício abandonado há anos, reclamado por uma organização de carácter cultural e educativo, sem fins lucrativos, e actuando em parceria com a comunidade que serve.

Durante 5 anos, o abandonado edifício foi ocupado para fins de “casa de chuto” não supervisionada, sem que o impacto de tal actividade económico-social (ilegal em Portugal) preocupasse as autoridades policiais e camarárias.

No entanto, bem mais perigoso do que uma pandilha de zombies adormecidos pela heroína, é um grupo de gente inteligente, activa, empreendedora, criadora de sonhos, fabricante de asas que fazem as crianças voar. Gente que consegue fazer o que as escolas públicas não fazem (nem foram desenhadas para tal).

Iniciativa puxa iniciativa, e de três gatos pingados a aparecerem, passam a 30 ou a 300, e aí a coisa começa a incomodar quem trabalha diariamente por manter a populaça submetida aos desígnios dos Senhores da Pátria. Vai daí, há que cortar o mal pela raíz, e fazê-lo com eficácia e determinação, a saber:

  • Encomendar à polícia, a mesma que ainda há poucas semanas descascou valentemente numa manifestação pacífica, que apareça em grande número para garantir uma limpeza rápida do local, com direito ao uso da força
  • Vigarizar uns bombeiros, dizendo-lhes numa acção de formação que devem comparecer no dia seguinte vestidos à civil e de cara tapada para um simulacro a realizar no Porto (não lhes disseram que iam ajudar a despejar a Escola da Fontinha)
  • Esvaziada a escola, destruir a totalidade do património educativo lá presente, atirando-o pela janela no próprio dia da acção de despejo, assumida literalmente pelas “autoridades”.
  • Impedir a comunicação social de relatar o caso com isenção, através de propaganda política nos órgãos estatais e do impedimento levantado aos jornalistas que pretendiam visitar o local

O Senhor Rui Rio suporta a sua decisão com a falta de vontade do projecto em causa de assumir uma renda simbólica de 30 Euros mensais. Eu diria que o argumento ou é ridículo por não corresponder à verdade ou, de forma mais evidente, por demonstrar a falta de competência do Senhor Rio e sua equipa, ao não reconhecerem que o serviço prestado por esta organização poupa à cidade muitos milhares de Euros por ano, e gera riqueza cultural e económica de longo prazo. Esses 30 Euros de renda deviam ser transformados em 30,000, mas de subsídios camarários de elevado retorno para a cidade.

Com tudo isto, o uso da força, a aparente perseguição à Cultura independente e a manipulação dos media levaram muitos a afirmar que o país vive num período Fascista. Não estou de acordo, porque tenho dificuldade em reconhecer no actual estado algumas das suas características ideológicas.

Realmente, tenho a sensação de que não há uma ideologia política de suporte das acções da actual classe política em Portugal. São demonstradoras, isso sim, de uma delinquência perigosa, criminosa na maior parte dos casos, mesmo à luz das leis que esses mesmos vândalos desenham para encapuçarem as suas acções.

O País, está neste momento na mão de criminosos sem escrúpulos, de uma máfia aniquiladora, bem mais perigosa do que o mais sério dos assassinos detido em território nacional.

Desse ponto de vista, o Dr Rio (e outros como ele) não é fascista.  É um grunho delinquente e inseguro.

  • Inseguro porque não confia na sua posição se misturado com uma população mais culta.
  • Delinquente porque com a sua decisão viola a constituição portuguesa (acima, à direita).
  • Grunho porque escolheu fazê-lo à força bruta e com medidas de destruição deliberada, desrespeitando por completo imensos investimentos financeiros e emocionais da população que representa, ou devia representar.

A vida bafejou-o, até ver, com a sorte de estar a violentar gente que, pela sua cultura superior, evita a violência como forma de resposta.

E por falar em gente superior, apreciem este magnifico vídeo sobre o que se faz no Projecto ES.COL.A.

Es.Col.A da Fontinha from Viva Filmes on Vimeo.

Comentários
  1. Concordo com tudo. Os nossos politicos comprovam a cada dia que passa, que o bem comum, nunca foi o seu objectivo.

    Mas a mim, o que me irrita mais, nem é o grunho do politico, embora não perceba quais os seus motivos, já que este era um projecto que ia de encontro ao que ele sempre defendeu, a não “subsidio-dependência”. A única resposta viável que vejo, é o interesse imobiliário que aquele terreno possa ter, nada mais.

    Mas o que me irrita mais, e podes concordar ou não, é que, por baixo da premissa de que “recebem ordens”, aqueles cidadãos da cidade do Porto (e arredores) cumpram sem qualquer problema a ordem de despejo e a destruição material e moral de um projecto.
    Aqueles ser vivos não tem consciência? Não tem moral? Sentem-se bem ao final do dia, ao pensarem que apenas “estiveram a cumprir ordens”?

    Como podemos nós condenar o grunho, quando a comandita, não questiona o líder e muito menos se opõe aos acontecimentos. Aquilo que o povo mostra, é que por medo de perder o emprego, ou por desconhecimento do que se passa, ou meramente por não querer saber, se tornam mercenários e destroem aquilo que a sociedade construiu.

    Que moral tem uma instituição pública e de um conjunto de mercenários a soldo, para destruir o que a sociedade (não foram uma ou duas pessoas) construiu? Será que se esqueceram que esta cidade e este país foi construído em sociedade, ainda antes de haverem instituições públicas.

    No meio disto tudo, o meu maior repúdio vai para os executantes, que sem amor próprio ou inteligência se limitam a cumprir ordens.

  2. Que posso dizer? Que a ser verdade o que está afirmado o senhor Rio deveria ter vergonha!

  3. Serjom diz:

    Afinal o Nel era o Rio.

    Há anos escrevi uma canção, ou melhor a letra de uma canção, cuja música tinha sido anos antes composta pelo genial Frank Zappa. Fi-lo com a respectiva autorizaçaão da viúva do autor, que muito me satisfez, e foi assim que Bobby Brown se transformou no Nel Ligeiro, um personagem imaginário, vergado sob a frustração da sua ausência de talento, incapacidade artística, cegueira cultural e surdez social, “qualidades” que sublimava através de uma sobre exibida esperteza saloia, com a que tanto roubava a quem lhe dava de comer, como atraiçoava os que nele acreditavam ou o tinham como o ídolo do bairro. Tinha, isso sim, amigos na PSP, como reza a lírica registada n’O Milhor dos TdoC (edição Universal de 1996 – não procurem que está completamente esgotado) e que lhe garantiam a subsistência sem grandes sobressaltos.
    Normalmente, quando escrevo alguma coisa, algo me impele a fazê-lo e o discurso baseia-se em factos ou personagens que, porventura, merecem a minha atenção em determinado momento. Honestamente, quando escrevi o Nel Ligeiro não pensei em ninguém em especial, mas eis que acabo de dar conta que a personagem existe e segue à risca o guião. O rio – não o que nos cruza e embeleza a cidade, que esse obriga a maiúscula no nome, como arauto de Património da Humanidade que é – o rio, dizia, não merece a maiúscula que ostenta, cortesia da regra gramatical, e menos ainda esse título fadistado de doutor, nem mereceria um segundo do meu tempo, se não me irritasse solenemente a sua atitude permeditadamente canalha, no recente desalojo violento da escola da Fontinha. O que as “forças da ordem”, ajudadas por uma mão cheia de bombeiros sapadores desinformados levaram a cabo, foi um acto de terrorismo, condenável em qualquer canto do mundo e, se houvesse justificação para tal, ao abrigo de qualquer lei, dessas que os poderes vão moldando a seu bel prazer e conveniência, ela ficaria deslegitimada só pela forma arbitrária e criminosa como a operação foi executada. Tipos de passa-montanhas a assaltar escolas em plena luz do dia, remanescem acções que, qualquer cidadão comum, interpretaria como um simulacro de assalto a uma qualquer instituição num cenário com sequestro de reféns, polícias e “ladrões”. O insólito é ver estes últimos dois colectivos de acordo no massacre aos primeiros.
    A paciencia da maralha tem limites e estes já foram ultrapassados há muito. Começa a fazer sentido pensar em alguma forma de sacarmos estas carrapatas da realidade do nosso cotidiano. E lamento a má notícia, mas isto já não vai a votos.

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