Trabalhadores do Comércio em Odivelas

Posted: Junho 10, 2011 in Trabalhadores do Comércio, vida

O Luís Silva do Ó tem mais sorte do que eu. Tem, porque ontem esteve onde eu queria ter estado, no concerto dos Trabalhadores do Comércio em Odivelas, e teve a amabilidade de me enviar o seu registo de um dos temas.

Vi agora o mail dele, ao qual me pedia resposta. “Depois diz-me o que achas. Eu adorei.”, escreveu-me. E com meia resposta já escrita, achei que podia torná-la pública, antes que o mofo e o bolor tomem conta deste sítio (o mofo deu-lhe!).

Vi agora o vídeo. Como dizem os ingleses, vi-o com “mixed emotions”. E passo a explicar:

Antes de mais, tiro o chapéu à Daniela Costa e ao resto da banda por uma notável interpretação.

Tenho estado demasiado distante do projecto porque nos últimos meses, para além da minha análise às misturas que vão sendo feitas dos temas do novo álbum, e respectivo envolvimento à distância de 2000 kilómetros, não tenho participado nos ensaios do grupo.

É força das circunstâncias, diga-se; ainda ninguém me despediu nem eu apresento a demissão, mas a distância complicou e muito a minha colaboração mais regular.

Trabalhadores do Comércio ao vivo em Odivelas

Foto de Rui M Leal

Com a distância, fico por um lado surpreendido com algumas coisas que vejo, porque são tão novidade para mim como para o público. É o caso deste vídeo. Por outro lado, cada surpresa é também uma confirmação, uma vez que concluo que o grupo encontrou finalmente o seu som e que conseguiu, com recrutas como a Diana Basto, a Daniela Costa, a Marta Ren e o Pony João Machado em estúdio e em concerto dar um salto qualitativo que não está, ainda, registado em disco – ou melhor, está, mas não ainda à venda.

Este salto adivinhava-se em Iblussom, mas os concertos que se lhe seguiram resultaram numa ainda mais acentuada evolução (na minha opinião). E a chegada do Pony à banda, aquando da minha vinda para Inglaterra, trouxe ainda mais evolução.

Desse ponto de vista, este vídeo (que vi há minutos pela primeira vez) é uma agradável surpresa ao mesmo tempo que é exactamente o tipo de coisa que eu sei que este grupo é capaz de fazer, e que vai continuar a fazer – e daí para cima. Portanto, vejo-o com enorme satisfação!

Mas também com enorme pena de não ter estado presente, nem que fosse só para mudar as cordas das guitarras dos músicos.

É coisa difícil de explicar, mas esta banda é muito de quem eu sou enquanto pessoa (ou eu é que sou muito do que esta banda é – não sei qual é qual, nem me importa). O que quero dizer é que aprendi a viver à custa deste grupo. Desenvolvi a minha identidade, na idade em que essas coisas se começam a fazer, no meio do grupo e do contexto social que inevitavelmente se gerou à volta dele e de mim por circunstâncias sobre as quais eu não tinha influência.

Aprendi a rejeitar o estrelato em favor de valores fundamentais ao observar gente como o Sérgio e o Álvaro – dois dos “unsung heroes” da música portuguesa. Ganhei muitos amigos com isso, que ainda mantenho hoje em dia (alguns, só muitos anos depois de me conhecerem ficaram a saber do meu envolvimento com o grupo).

Aprendi a ser crítico em relação ao que me rodeia ao falar com todos eles. Aprendi o que era ironia, a dizer coisas sérias a brincar, a valorizar o profissionalismo e o respeito pelo trabalho de equipa, a apreciar a autenticidade da expressão artística, a perceber que a música era uma forma de tocar pessoas e que, como me disse uma vez o meu prezado amigo Alex Lobo, basta que se toque uma (pessoa) para que tenha valido a pena. [a do parêntesis foi só para dizer uma coisa séria a brincar]

E isso é o que faz com que esta banda seja verdadeiramente especial, pelo menos para aqueles que circulam à sua volta. Libertos de pressões comerciais, fazem o que querem quando querem e como querem. Fazem-no com enorme profissionalismo e dedicação, com o seu próprio dinheiro, sempre com enormes sorrisos de quem está “in the zone” quando está a trabalhar aqui. Fazem-no por missão e não por interesse. Fazem a sua arte sem a preocupação de seguir os modelos estéticos dos críticos do Blitz (estética e blitz são palavras que não cabem na mesma frase, o que faz de mim um poeta ao ter conseguido fazê-lo!).

E são todos uns gajos do carvalho com quem se passam grandes momentos. Eu perdi o último, mas hei-de estar noutros. E o melhor ainda está para vir!

Comentários
  1. Não há longe nem distancia.Estamos…e tu estás sempre!ABRASSU.

  2. maria diz:

    ausente fisicamente,mas presente em todo,mas todo o concerto,sem desprimor para o trabalho do pony, claro!

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