A revolução não se faz com uma mão

Posted: Dezembro 9, 2010 in cultura, educação, Liberdade de Expressão, Londres, Sonhos, vida

Hoje, enquanto eu discutia o sexo dos anjos com uma equipa de doutorados de Cambridge numa aquecida sala da City of London, um debate bem mais quente acontecia no meio do frio da cidade. Em causa estava, aparentemente, o triplicar das propinas das Universidades. Na realidade, o que estava em causa era mais um exemplo da prepotência e da falta de seriedade política, o agravamento (desejável para quem está no poleiro) da sociedade de classes com fossos cada vez mais acentuados entre cada um dos seus estratos, o abuso de poder, a hipocrisia.

É o argumento de que as proprinas precisam de subir como consequência da crise enquanto se perdoam 4.5 mil milhões de libras de impostos à Vodafone. É o aumento das propinas debaixo do argumento da crise enquanto o próprio ministro das finanças tira partido de uma insuficiência legal (seguramente planeada) para fugir a uma conta de impostos que ascende a milhões de libras e pedir aos tesos que apertem o cinto, concretamente à custa da sua educação.

É a imposição de uma dívida não solicitada aos jovens que, assim, começam as suas vidas algemados pela banca, via Estado (o mesmo estado que subsidia a irresponsabilidade da banca gananciosa que criou esta mesma crise!!!).

E é fazer tudo isto depois de ter formado governo depois da promessa de que reduziria (em vez de triplicar) estas mesmas propinas, como foi o caso dos Liberais Democratas.

É a cara de pau de dizer ao eleitorado: “nós prometemos o que vocês quiserem para ganhar o vosso voto, para depois vos fodermos na posição que mais prazer e conveniência nos trouxer.”

E, acima de tudo, é fazê-lo a uma geração que se guia por valores diferentes: mais informada, mais social, mais preocupada com a sua realidade e com o futuro do planeta e, consequentemente, mais descrente na classe política que actualmente protege os interesses de muito poucos à custa do sacrifício de imensos muitos.

Quando a violência das classes políticas, aqui resumida a este episódio mas realmente abrangendo todos os domínios da vida pública – da finança à sustentabilidade do planeta, da pseudo-liberdade de imprensa (wikileaks, anybody?) à corrupção, chega a estes extremos porque razão deverão as massas oprimidas retribuir pacificamente?

Em Inglaterra, o pessoal não deixa a coisa em banho maria. Trá-la a ponto de ebulição assim que sentem a água a aquecer, e assim deve ser – cada um à sua maneira. Deixo aqui o meu cumprimento sentido a quem se afirma contra aquilo com o qual discorda.

Porque não atacar servidores de empresas que protegem o terrorismo de estado? Porque não partir vidros nas sedes de partidos políticos e, se possivel, também a cara a alguns dos seus representantes?

E quanto ao argumento “politicamente correcto” de que os protestos se fazem com cravos e ramos de alfazema,os demagogos utilizam esse argumento como forma de ganharem credibilidade através da descredibilização dos protestantes. Quem está na mó de baixo, não tem mais alternativas: é que a do voto agora já vem tarde e, acima de tudo, aparenta ter sido um fiasco da última vez que foi experimentado (há 3 ou 4 meses atrás)!!!!!

A revolução é precisa e não se faz só com uma mão. E em Portugal, quando começará?

Comentários
  1. A coisa pinta mal, não há dúvida. O sistema foi-nos enrabando com maragarina, como se duma interpretação da “Última Tanga em…” se tratasse. Mas nem esta será a última, nem os que as sofremos podemos continuar complacentes. A Paypal, a Visa, a Mastercard etc, já começaram a sofrer as consequências da sua condescendência com o PODER. As leis arbitrárias que se sucedem em catadupa com o propósito único de moldar e limitar as liberdades e as garantias sociais que custaram anos a conseguir, sofrem metamorfoses imprevistas para o comúm dos cidadãos, mas “justificadas” para os que as “desenham” a imagem das “suas necessidades”. Há que pará-los. Aqui, em Portugal, no Reino Unido, na Alemanha…

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